Floresta 23, em Maringá, recebe esculturas em madeira do artista brasileiro José Bento

As 77 obras adquiridas pela PRC Empreendimentos são da série Árvores e formam uma floresta artística, que reforça o conceito de natureza viva no novo empreendimento


Setenta e sete árvores que renasceram da própria floresta. Esse é o núcleo simbólico do conjunto de esculturas criado pelo artista brasileiro José Bento direcionadas para o Floresta 23, lotes exclusivos lançados neste mês de dezembro pela PRC Empreendimentos, em Maringá-PR. Cada peça, com cerca de 20 centímetros, foi esculpida a partir de madeiras caídas ou descartadas da Mata Atlântica — troncos, raízes e fragmentos que ganharam nova vida pelas mãos do artista. Únicas, nenhuma árvore é igual à outra. Juntas, formam um reflorestamento simbólico singular, capaz de ressignificar matéria, memória e paisagem.


A aquisição, destinada à primeira ativação junto aos futuros moradores do Floresta 23, configura um gesto de referência no mercado imobiliário brasileiro e estabelece um novo patamar de integração entre arte, ecologia e a paisagem urbana. É a primeira vez que a incorporadora adquire um conjunto artístico destinado às famílias que valorizam arte, paisagismo, regeneração ecológica e a convivência cotidiana com o verde — um lugar onde a natureza deixa de ser pano de fundo e assume o papel de protagonista. 

A curadoria de arte do Floresta 23 é assinada por Rafaela Tasca, que integra ao projeto obras que articulam natureza, espaço, tempo e memória, em diálogo com aspectos da geografia de Maringá — cidade marcada pela passagem do Trópico de Capricórnio, situado aproximadamente a 23°27’ ao Sul do Equador, que atravessa a região do loteamento. 


“Nesta etapa inaugural, integramos ao projeto as esculturas da série Árvores, de José Bento, cuja pesquisa articula relações entre matéria, território e tempo. Esses trabalhos criam uma floresta poética que se inscreve no espaço como gesto de reinvenção e de memória — abrindo possibilidades para imaginar outros modos de habitar a cidade”, pondera Rafaela.


Ela complementa: “Bento é uma das vozes mais significativas da escultura contemporânea brasileira, e é especialmente potente trazer sua obra para Maringá, onde poderá dialogar com a paisagem e o público do Floresta 23”. As peças esculpidas em seu ateliê, em Minas Gerais, entre 2023 e 2025, distinguem-se pela delicadeza formal e pela expressividade de suas matérias de origem, com madeiras como peroba, rouxinho, jatobá e braúna — cujas variações de textura e cor adicionam novas camadas poéticas às obras.


O projeto paisagístico desenvolvido pelo botânico Ricardo Cardim — referência nacional em restauração ecológica — aprofunda ainda mais essa relação nos novos lotes. Sua proposta valoriza espécies nativas e recria uma paisagem viva, que celebra a biodiversidade local e transforma o Floresta 23 em um ambiente de regeneração e convivência com o verde.

Para o diretor da PRC Empreendimentos, Raphael Ferreira, a iniciativa traduz a visão da empresa de unir cultura, natureza e inovação. “Ao adquirir um conjunto artístico para o empreendimento, reafirmamos nosso compromisso com projetos que vão além da construção. As esculturas de José Bento resgatam a essência do Floresta 23, reforça a identidade do lugar e proporciona uma experiência marcada por significado, pertencimento e natureza viva”, afirma Ferreira.

O artista José Bento

José Bento, 62 anos, nascido em Salvador, Bahia, e residente em Belo Horizonte, Minas Gerais, é um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. Para ele, a madeira é mais que matéria-prima: é um organismo vivo com o qual ele dialoga há quatro décadas. 


“Eu aprendo com a madeira. Elas são nossos irmãos vegetais, seres que vivem muito mais que nós e carregam histórias de milhares de anos”, afirma. O artista lembra que, embora silenciosas, as árvores compartilham características profundas com os

 humanos — comunicação, memória, cuidado coletivo e resiliência. Sua obra nasce desse respeito radical pela natureza. 


“Meu trabalho é voltar a ser árvore”, resume. Bento explica que suas esculturas reforçam a urgência ambiental que atravessa o século. “Precisamos proteger as árvores, nossos guardiões mais antigos. Elas sustentam nossa permanência na Terra, são pulmões, símbolo de esperança e renovação. Cabe a nós preservar, plantar, reconectar”, conclui o artista.


As obras adquiridas pela PRC Empreendimentos integram a série Árvores, núcleo da pesquisa que José Bento desenvolve há anos ao explorar a potência simbólica e escultórica da madeira e sua relação com o tempo e a paisagem brasileira. 


O artista possui trajetória reconhecida nacional e internacionalmente. Em 2024, expôs “Caminho de Guaré” na Pinacoteca de São Paulo. Participou da 13ª Bienal do Mercosul (2022), da 32ª Bienal de São Paulo (2016) e da Bienal de Benin (2012), além de realizar exposições individuais como “Anomalia da Solidão” (2023) e “Todos os Olhos” (2018).


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