Ricardo Cardim propõe reflexões sobre as cidades do futuro na Galeria Cidade Aruna
Talk, sessão de autógrafos e visita guiada reuniram profissionais e convidados para discutir como a vegetação nativa pode transformar os espaços urbanos em Maringá

Como construir cidades mais saudáveis, resilientes e conectadas à natureza? Essa foi a reflexão que guiou os dois dias de programação especial conduzida pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim na Galeria Cidade Aruna, em Maringá. Referência nacional em biodiversidade urbana e paisagismo sustentável, o especialista reuniu convidados, profissionais de diferentes áreas, estudantes e convidados para discutir o papel da vegetação nativa na construção de espaços urbanos mais humanos e acolhedores.
Ao avaliar a experiência, Cardim destacou a receptividade do público e interesse pelo tema.
“É muito legal ver o interesse de muitas pessoas e de diferentes áreas de atuação por um assunto tão importante, que são as cidades verdes de terceira geração, a valorização do paisagismo sustentável e das cidades biofílicas. Então foi muito gratificante”, disse Cardim.

A programação teve início na noite de quinta-feira, 18, com um talk seguido de sessão de autógrafos do livro “Remanescentes da Mata Atlântica: As Grandes Árvores da Floresta Original e Seus Vestígios”, 2ª edição revisada em 2024, que conta com o apoio da PRC Empreendimentos e da Aruna Urbanismo Arte. Durante o encontro, Cardim compartilhou experiências, apresentou conceitos relacionados ao urbanismo biofílico e mostrou como a valorização da flora brasileira pode transformar a relação das pessoas com as cidades.
Entre os participantes esteve a bióloga Lídia Maróstica, referência em gestão ambiental em Maringá. Para ela, o encontro foi uma oportunidade de ampliar conhecimentos e reforçar a importância da biodiversidade para a qualidade de vida da população.
“Foi muito esclarecedor e interessante. Ele trouxe muito conhecimento e, acima de tudo, a oportunidade de compreender a importância de toda a vegetação nativa do Brasil e sua utilização no paisagismo. Isso proporciona inúmeros benefícios, principalmente para a saúde e para o bem-estar das pessoas”, destacou Lídia.
A arquiteta e urbanista Maria Isabel Guerreiro também ressaltou a didática e a profundidade dos conteúdos apresentados pelo especialista.
“Foi surpreendente. Todas as informações que ele trouxe despertam ainda mais interesse pelo paisagismo, pela Mata Atlântica e por aquilo que temos ao nosso redor. Os conhecimentos compartilhados são fundamentais e complementam muito a nossa atuação profissional”, afirmou Maria Isabel.
A vegetação nativa no Cidade Aruna
Nesta sexta-feira, 19, Ricardo Cardim retornou à Galeria Cidade Aruna para conduzir uma visita guiada pelo parque do masterplan. Durante o percurso, apresentou espécies nativas incorporadas ao projeto paisagístico e explicou como a vegetação regional pode contribuir para cidades mais sustentáveis e resilientes.

“A ideia foi valorizar culturalmente essa vegetação nativa da região de Maringá, uma das mais fantásticas do planeta. Trouxemos espécies como a palmeira-juçara, o ipê-roxo, a palmeira-jerivá, entre outras, para mostrar que é possível integrar a vida moderna e o conforto urbano ao direito de existência dessa fauna e flora milenares. E todos ganham: as pessoas, com mais saúde e cidades mais resilientes e confortáveis, e a natureza, com o direito de existir no território que ocupa há milhões de anos”, explicou Cardim.
Durante a visita guiada, o especialista também destacou a riqueza da Mata Atlântica Semidecidual de Terra Roxa, formação florestal característica da região. Segundo ele, a biodiversidade local é tão expressiva que uma única área preservada pode render uma vida inteira de estudos.
O arquiteto e urbanista Arthur Sato participou da atividade e destacou o potencial das espécies nativas para os projetos urbanos, conhecimento que pretende aplicar em sua atuação profissional.
“A exaltação das espécies nativas foi um dos pontos mais interessantes. Ricardo mostrou como essas espécies possuem um potencial enorme e ainda são pouco utilizadas. Foi uma experiência muito enriquecedora, que certamente contribuirá para futuros projetos e especificações técnicas”, avaliou Sato.

A passagem de Ricardo Cardim pela Galeria Cidade Aruna reforçou a proposta do masterplan Cidade Aruna de integrar urbanismo, natureza e qualidade de vida, promovendo discussões sobre modelos de desenvolvimento capazes de valorizar a biodiversidade local e fortalecer a conexão das pessoas com o meio ambiente. Além de assinar o projeto paisagístico do ecossistema urbano, o botânico também é responsável pelo conceito paisagístico do Floresta 23, da PRC Empreendimentos.















