Livro "Oteque" marca reencontro do chef Alberto Landgraf com Maringá
Lançamento no Cidade Aruna foi conduzido por Paulo Tiefenthaler. Em um talk, o chef compartilhou reflexões sobre sua trajetória e emocionou pessoas que marcaram sua história

O lançamento do livro Oteque, no Cidade Aruna Movimento Urbano, foi muito mais do que uma sessão de autógrafos. A noite desta quinta-feira (16) se transformou em um emocionante reencontro do chef Alberto Landgraf com a cidade onde cresceu, estudou e construiu parte das memórias que o acompanham até hoje. Entre antigos colegas de escola, amigos de infância, familiares e admiradores, ele compartilhou histórias da carreira, refletiu sobre o sucesso e mostrou que, apesar do reconhecimento internacional, continua profundamente conectado às suas origens.
A conversa foi conduzida por Paulo Tiefenthaler — ator, roteirista, diretor e apresentador brasileiro conhecido por seu olhar afiado e bem-humorado sobre a cultura contemporânea. Com leveza e sensibilidade, ele conduziu um diálogo que passou pela infância em Maringá, pela construção da carreira e pelos bastidores de um dos restaurantes brasileiros mais respeitados do mundo.

Alberto contou que chegou a Maringá aos sete anos e deixou a cidade aos 20 para seguir sua trajetória na gastronomia. Hoje, aos 46 anos, percebe que já viveu mais tempo fora do que aqui, mas faz questão de manter o vínculo com o lugar que considera parte da sua história.
"Meu irmão, meu sobrinho e meus amigos, que são a minha família de escolha, estão aqui. Tento vir a Maringá o máximo que posso e tenho planos de voltar. Ainda não sei se vou cozinhar ou trabalhar com outra coisa, mas quero voltar para cá no futuro", afirmou o chef.
Durante a conversa, ele também revelou a origem do nome do restaurante Oteque. Embora o sufixo "teca" esteja presente em palavras como biblioteca e enoteca, a inspiração surgiu da música "Idioteque", da banda Radiohead. A escolha funciona como um lembrete permanente para manter a humildade, mesmo após conquistar reconhecimento.

"Eu sabia que o “Oteque” teria sucesso porque me preparei para isso. Era meu segundo restaurante, eu conhecia o sistema e estava no momento certo. Mas o nome também serve para eu nunca esquecer de manter os pés no chão e não acreditar que virei um super-herói por causa do restaurante”, complementa.
Ao longo do talk, Alberto falou sobre disciplina, planejamento e consistência. Sua trajetória mostra que a excelência não nasce de um único grande momento, mas da repetição diária de pequenas decisões tomadas com rigor e propósito. Uma filosofia que transformou o chef em uma referência mundial da gastronomia e fez do Oteque um dos restaurantes mais respeitados do Brasil.

Reencontros que contam uma trajetória
O reencontro emocionou quem acompanhou os primeiros capítulos da vida de Alberto Landgraf. Amigos de infância, antigos colegas de escola e convidados lembraram histórias que revelam um lado pouco conhecido do chef: o garoto que tocava bateria em festivais de música, viajava com os amigos e sonhava com o futuro, muito antes de se tornar uma das principais referências da gastronomia brasileira.
Em comum, todos destacaram a mesma característica: apesar do reconhecimento internacional, Alberto permanece simples, acessível e profundamente ligado às suas raízes.

Amigo desde os tempos de escola, o advogado Homero Marchese recordou uma lembrança que arrancou sorrisos durante o evento. "Participamos juntos de um festival de música. Nós cantávamos e ele era o baterista da banda. O mais impressionante é perceber que, apesar de todo o reconhecimento que conquistou, ele continua exatamente a mesma pessoa: humilde, simples e muito orgulhoso de Maringá."
As memórias também vieram carregadas de bom humor. A empresária Cristina Noma lembrou uma viagem feita pelo grupo de amigos para Guaraqueçaba, quando Alberto ainda não sabia cozinhar.
"É engraçado lembrar que, naquela época, ele nem sabia fazer um ovo. Hoje é reconhecido mundialmente como um dos grandes chefs da atualidade. É um orgulho enorme termos vivido parte dessa história ao lado dele."

O dentista Sidney Kina contou que passou a acompanhar a carreira do chef por influência da filha, recém-formada em Gastronomia na Espanha. "Ela acompanha os grandes chefs brasileiros e vê o Alberto como uma verdadeira celebridade da gastronomia. É um orgulho enorme ver alguém que cresceu em Maringá alcançar esse reconhecimento internacional", ressalta Kina.
Entre os convidados, o diretor-presidente do Grupo Santa Terezinha, Paulo Meneguetti, destacou a importância de profissionais que levam o nome da cidade para o mundo. "Quem conquista reconhecimento fora e faz questão de voltar para compartilhar sua trajetória demonstra gratidão pela cidade onde começou. Isso inspira outras pessoas e mostra os grandes talentos que nasceram ou cresceram aqui", destaca Meneguetti.

Mais do que apresentar um livro, Alberto Landgraf compartilhou uma história construída com dedicação, disciplina e coragem para buscar novos caminhos. Em uma noite marcada no Cidade Aruna Movimento Urbano por abraços, lembranças e conversas sinceras, o chef reencontrou amigos, revisitou o passado e reforçou que, mesmo depois de conquistar o mundo, continua encontrando em Maringá um lugar de pertencimento. É a prova que as grandes conquistas nunca apagam as raízes de quem as construiu.






